Bem, há muito tempo tento escrever (sonhava ser escritora). Mas por algum motivo, nunca consigo. Pelo menos algo de minha criação, algo que eu mesma ofereça-lhe um início, ou título.
No entanto, nos últimos dias venho postando mais - muito mais. E nestes posts, descubro em mim coisas que nem eu mesmo sabia, ou melhor, não estava no meu consciente, e somente através da escrita, tive a oportunidade em sabê-lo.
Estes dias atrás uma amiga me chamou para um curso. Este curso era para voluntariado em roda de leitura. E pensei: para que?
Aprender a ler? Um sábado inteiro? Tenho mais com o que gastar meu tempo.
Mesmo que o gastasse dormindo, ou mesmo "vagando pela internet", entendia que estas duas últimas valiam mais a pena. Me ofereciam mais prazer, a estar: aprendendo a ler!
Pelo simples fato em eu ter dormido na casa desta minha amiga, e ela estar em depressão, não consegui dizer não ao curso.
Simplesmente pelo jogo psicológico que ela fez comigo para que eu a acompanhasse - vale ressaltar que essa amiga está passando por um quadro depressivo, não diria maior que o meu, mas sou sincera em reconhecer que a vida dela oferece mais razões para chorar, ou "não querer existir".
Bem, desta forma, resolvi acompanhá-la, e passei o caminho todo (quase 2horas e meia) tentando imaginar o quanto tediante seria o restante do dia. E pensava nisto pois o início já não havia sido nada agradável. Me lembro de ter sentado no máximo meia hora - durante todo o percurso.
Foi péssimo, pois na noite que antecedera, eu fiquei conversando com a minha amiga até muito tarde, pois meu intuito era que ela desistisse do curso na manhã seguinte. Tinha certeza, que se eu a cansasse, ela perderia a hora.
Mas não! Para a minha frustração, ela não dormiu. Não, pois temeu perder a hora. E eram 5:30 quando ela iniciou o supra narrado: "jogo psicológico".
Enfim, o trajeto foi deprimente. Quando estava quase chegando enfim consegui sentar mais um pouco - alívio. Hesitei um pouco, não gosto de sentar em bancos reservados - é difícil saber se a moça está grávida, ou é "bucho". Bem como tenho dificuldade em diagnosticar velhice; a não ser quando a pele está enrugada, e os cabelos bem brancos.
Entendo que se achar que alguém está grávida, ou é velha, e a mesma não estiver, ou na segunda ocasião: não se considerar, posso vir a deixá-las muito triste. Não gosto de deixar as pessoas tristes. Pelo contrário faço o possível para agradá-las. A ida ao curso é uma prova disto.
Desta forma, é difícil eu conseguir realmente descansar quando sento em um - banco reservado. A não ser que eu esteja muito cansada! Foi o que estava acontecendo. Eu não aguentava mais suportar tanto sono em minhas pernas.
Não demorou 10 minutos para eu ouvir alguém dizer: eu preciso sentar, por favor levante!
A expressão por favor, dá a impressão que a pessoa foi educada, mas lhe garanto que isto é somente uma impressão.
Com um sorriso ele conseguiria meu assento, não precisava fazer com que todos no ônibus ouvissem. E me causar assim, constrangimento.
Pois é, ele já tinha idade, e dizia para minha amiga a infelicidade de não enxergar bem, tendo que inclusive andar de muletas.
Entendi que a manhã dele, devia estar muito mais deprimente que a minha. Por isso, fiz questão de não dirigir nenhuma palavra à ele. Com minha sinceridade e falta de "docilidade" que a ocasião trazia, eu podia tornar a manhã dele um pouco (ou muito) pior do que já o era. Desta forma decidi permanecer quieta, até o bendito: curso de leitura!
Chegamos! Com 45 minutos de atraso. Não suporto perder começos. No entanto sempre os perco.
Não sei porque, mas tenho uma extrema dificuldade com pontualidade. O atrasado é infelizmente como minha "marca registrada".
Lembro-me de um namorado que me disse que o próximo atraso indicaria o fim do relacionamento. Foi o meu primeiro amor, e eu só tinha 16 anos. Até onde me lembro, os meses em que passaram antes do término deste, foram os únicos encontros que eu não me atrasei. Algo aconteceu na minha mente. Algum comando foi acionado, e eu não mais atrasei em nenhum encontro - com ele (risos).
Espero que ninguém me cobre isto novamente. Não suporto relógios... Não gosto de medir o tempo. Para mim, o tempo foi para ser vivido, não medido!
Com a mesma intensidade que eu não queria ir ao curso, não queria ir embora. Como aquilo estava sendo bom!
A ministra era uma linda jovem, devia ter seua 27 anos. Magra, bonita, inteligente, engraçada, com uma ótima posição naquela instituição, e uma aliança na mão esquerda, indicando um casamento - de pouco tempo, soube mais tarde.
Eu não sei se para ela estar ali era algum peso, ao menos não parecia. Ela mostrava realmente dominar e amar o que fazia, e o que falava: "rodas de leitura".
A instituição que eu estava naquela manhã tem por objetivo formar 1 milhão de rodas de leitura. Todas essas rodas, distribuídas em escolas, fundações, asilos, orfanatos. Enfim, eles queriam trazer e incentivar indivíduos a ler. Assim como estavam a fazer comigo naquela manhã.
Antes de enfim lermos algo - no fim do dia -, rimos muito. Aquele "curso" se tornou uma roda de "pessoas legais", onde ali discutimos uma série de assuntos, situações.
O que em minha vida só tem sido virtual, naquele sábado foi real.
Há quanto tempo eu não fazia parte de uma roda? A quanto tempo não discutia uma infinidade de assuntos em grupo de pessoas "reais" (risos).
Como é bom olhar nos olhos! Como é bom falar com as pessoas além da escrita! Como é bom, ler as pessoas, além daquilo que elas escrevem!
Como é bom, estarmos calados, e mesmo assim nos comunicando!
Lá eu ri muito, pulei, imaginei que estava dançando na chuva... Foi muito bom!
Melhor ainda foi o conteúdo que recebi sobre o "mundo da leitura".
Quando digo recebi ao invés de aprendi, é devido a ter um grande problema com minha memória. Eu não consigo de lembrar de 90% daquilo que recebo na maioria das vezes.
O leitor que estiver fazendo a leitura da minha pessoa, deve estar visualizando um alguém despreocupado com o horário e que nem mesmo sabe seus próximos compromissos, ou muito menos de tudo que tratou os anteriores.
Terá acertado, se também pensar que eu não anoto nada em agendas (apesar de tê-las), não costumo ler as minhas anotações (tenho uma infinidade), e geralmente não fui à compromissos (não cumpro a maioria).
Lastimável o desenho que você fez de mim, não é? Tenho em minha mente que somos o melhor que podemos ser. Bem como, entendo que sempre seremos o melhor que alcançamos. E me pergunto: porque insisto em não levantar? Quando levanto quero criar, quando crio, teimo em sonhar, idealizar, mas nunca realizo?
Em todo projeto precisamos de outros, e se eu preciso de outro, logo, preciso me relacionar. O relógio terá que fazer parte deste relacionamento.
O bendito relógio impede que eu tenha compromissos, e eu só descobri isto agora!
Espero que enquanto divido "meu grande ser" com alguém (você), eu saiba um pouco melhor quem sou eu!
Aliás, essa pergunta me faço a muito tempo. Como já disse que minha memória é ruim, não lembro quanto tempo!
Naquela manhã aprendi que alguém pode fazer esse tipo de leitura que fizemos agora da minha pessoa, uma leitura que busca decodificar sinais, situações, etc. Essa leitura será variável de acordo com as experiências vividas, cultura, conhecimentos e limitações do leitor. Por exemplo: se eu vejo alguém a roer unhas, farei uma leitura que esta pessoa está nervosa, se eu roer, ou conheço alguém que roe unhas quando nervosa. Ou até mesmo se um dia eu li que quando as pessoas estão nervosas roem unhas.
Ou seja, a leitura que faço o tempo inteiro de tudo e de todos, depende daquilo que eu vivencio e conheço.Temos também a leitura escrita. Pois é, esta é a que a instituição quer incentivar. Muitos não tem por hábito ler. A nossa cultura não nos incentiva a leitura. Geralmente, quando somos movidos a ler algo, o somos porque precisamos aprender algo; para que tenhamos uma boa nota, ou buscando para que não venhamos a nos dar mal em algum quesito.
Isto faz com que essa leitura seja algo obrigatório, e não: um prazer, ou uma opção.
Se você chegou até aqui, é muito provável que o prazer o tenha trazido. Afinal, o porque você quer saber algo do que penso, ou sou?
Se quisesse poderia deixar de lado esse texto. Mas por algum motivo entende que: vale a pena continuar.
Entre tanta coisa que este curso me passou (e que eu não lembro - não conscientemente), ele me mostrou que a forma mais difícil de alguém se expressar, é através da escrita.
A escrita é a forma mais complexa que temos para organizar uma idéia.
A forma qual nós mais nos comunicamos é através da linguagem verbal. Desde que nós desenvolvemos o sentido da audição no ventre materno, usamos dele.
Quando nascemos, já temos a identificação e "familiarização" com as vozes.
Com a nossa mãe, essa voz torna-se associativa com a "impressão": choro, riso, tristeza, paz, alegria... Muitos estudos mostram essa "tese".
Digo tese, pois ninguém lembra conscientemente de quando estava no ventre de sua mãe. E uma regressão pode levar a qualquer um, somente ao mundo de sua "fértil" imaginação, não tornando como "fato" ou "comprovado" a nenhum resultado obtido através destas práticas.
Bem, o que a ciencia pode dizer é que a audição é dada ao feto no início de sua formação, desta forma, quando nascemos já estamos familiarizados a este "tipo" de comunicação, e algum tempo depois estamos a utilizando.
A leitura de sinais nos são impostas logo que nascemos. E em dado momento aprendemos a decodificá-los. Estes sinais são: aquele olhar de rabo de olho quando fazemos algo errado. Ou um sorriso que nos é dado quando agradamos à pessoa, ou mesmo ela o esboça por estar feliz.
Ou seja, lidamos logo no início com essas duas formas de comunicação, deixando a escrita para depois... Bem depois!
Quando começamos a verdadeiramente utilizá-la é para aprender, e digamos que aprender algo que não temos o mínimo interesse (escrever).
Aliás, para que, se eu me comunico tão bem? Saber assinar basta. Lembremos, que no ínicio vivem pedindo para que escrevamos nosso nome, e não vemos a hora em mostrar esse conhecimento - mas isso basta!
Aprender a escrever, no ínicio é tão desinteressante como quando somos apresentados à equações. Acredito que existam as excessões, mas eu vivia a me perguntar, onde, ou em qual momento eu usaria "aquilo".
Hoje, me peguei observando uma gramática. Como organizar um texto? Quando a frase termina, e quando uso a vírgula? Quando continuo após o ponto, e quando preciso iniciar outro parágrafo?
Que dificuldade! Por que não prestei mais atenção nas minhas professoras? Não tenho paciencia em me debruçar nos livros de novo, para rever todo um conteúdo. Prefiro culpar a pequena Michele que não prestou atenção nas aulas de português, e justificar assim minha incapacidade.
Será que a fadigante cópia de textos no primário me traumatizou?
Aliás, minha mãe fazia a metade, senão à tudo. Isso fez com que eu buscasse deixar minha letra similar à dela, e até hoje as pessoas pasmam com a semelhança (risos). Mal sabem elas!
Mas a dura realidade, é que eu aprenderei à escrever, escrevendo... Passei metade da minha vida estudando e não aprendi, porque aprenderia agora?
Meu namorado esses dias dizia que teria que rever: ditongo, tritongo. Se a intenção dele era me ajudar, só piorou tudo.
Será que vou conseguir? Não sei! O tempo, e os textos dirão!
Espero que um dia, você possa lembrar deste primeiro texto e dizer: nem parece a mesma pessoa!
Um grande abraço da Michele - um ser em construção!